Voltar a Paris tem um prazer suplementar,
que vem se ajuntar a beleza da cidade,
a mundanidade da cidade,
a calma da cidade,
o ar da cidade.
Voltar a Paris traz de volta
o prazer da autonomia urbana
que somente o veìculo que se chama
bicicleta pode proporcionar.
Não é somente o ar da cara, nem o sol
na cara, nem a cidade nos olhos -
o fugir da claustrofobia dos metrôs e
dos carros.
Ir de bicicleta para cumprir compromissos
cotidianos traz a sensação de autonomia.
As cidades grandes do Brasil, das quais
Recife é somente mas um exemplo de
como não deveriam ser os arranjos
urbanos, põem o cidadão, o usuàrio da
cidade ilhado, perdido, um vagante.
E não somente o pedestre, esse desgraçado
que pouco tem o direito de flanar,
roubado que tem os seus espaços
de andar por aì.
Também quem vai de carro està a cada dia
mais ilhado, na sua ilhinha de lata
e fumaça.
O cidadão de alguma posse vai de casa
prum centro comercial, que ainda
chamam o nome em inglês pra apontar
a sua origem alienìgena, cujo
planeta de origem decidiu eleger
o automòvel como mais um deus.
A cidade no Brasil é um arquipélago
de espaços.
Ter espaços reservados numa cidade
para as duas rodas não motorizadas
permite exercer essa autonomia de quem
tem duas pernas ainda funcionais.
E olhe que nesta presente cidade
é preciso estar atento e forte,
pois motos e carros invadem os
espaços ciclìsticos, às vezes
sem piedade.
O ser humano essa coisa de poder
e a (necessària) restrição do poder,
que tem no trânsito e nas ilhas de lata
o seu exemplo mais vìsivel.
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vendredi 26 mars 2010
dimanche 15 juillet 2007
Bicicletas em Paris



A grande novidade deste fim de semana, na verdade, são duas.
A primeira é, sem dùvida o começo do verão.
Até aqui, depois do solstìcio de verão, ali pelo dia
21 de junho, somente tìnhamos tido dias que mais pareciam com dias
de fim de inverno.
Desde então, casacos pra todo mundo e muita reclamação.
Até que ontem as temperaturas subiram e hoje é um dia tìpico de verão.
A segunda novidade na cidade é o começo, hoje, do "Velib".
O "Velib" é a democratização do uso da bicicleta na cidade.
A coisa funciona a partir de uma assinatura ao produto por mòdicos
29 euros por ano. O cidadão tem o direito de rodar com a bicicleta
("velo", em francês) durante meia hora gratuitamente,
o tempo do seu trajeto de um lugar a outro na cidade.
O sistema é todo automàtico, para liberar o "velo" (se diz "velô")
passa-se o cartão de assinatura no ponto de estacionamento e
a bicicleta està liberada.
Tem fotos aì, e mais sobre o sistema nos dias
que virão.
dimanche 8 avril 2007
Paris de bicicleta II
Voltando a esse tema, hoje no caderno "Mais!"
da folha de São Paulo tem um manifesto irado
de um cineasta que mora em Paris sobre o planejamento
da cidade:
Na pior em Paris
Mas, apesar de se dizer ciclista
na cidade, os seus comentàrios vão em favor
da circulação dos automòveis.
Coisas do tipo:
"[...] se eu saio de minha casa no domingo,
não posso virar à esquerda porque é contramão;
e à direita, a 50 metros, a rua está bloqueada
pois nesse dia só os ciclistas podem usá-la.
Eu nunca fui avisado nem consultado; esse decreto
divino me obriga a ziguezagues aberrantes para ir
aonde preciso".
Imagino que a circulação para os automòveis deve
estar mesmo um inferno com todo esse aumento
do espaço para pedestres, ônibus e bicicletas.
Disse "imagino" porque não sei na pràtica como
é, não tenho carro nesta cidade, nem preciso
dele. De metrô, de ônibus, de bonde, de trem, a pé,
de bicicleta é muito mais fàcil e relaxado.
Ele também escreve sobre coisas que desconheço por aqui,
como abordagem de policiais a pedestres que atravessam
a rua em lugar errado. Hà, de fato, um certo exagero em
tudo o que ele diz, com exceção do que diz sobre as motos e
motonetas, que invadem as calçadas sem a menor cerimônia,
isso com a complacência da polìcia.
da folha de São Paulo tem um manifesto irado
de um cineasta que mora em Paris sobre o planejamento
da cidade:
Na pior em Paris
na cidade, os seus comentàrios vão em favor
da circulação dos automòveis.
Coisas do tipo:
"[...] se eu saio de minha casa no domingo,
não posso virar à esquerda porque é contramão;
e à direita, a 50 metros, a rua está bloqueada
pois nesse dia só os ciclistas podem usá-la.
Eu nunca fui avisado nem consultado; esse decreto
divino me obriga a ziguezagues aberrantes para ir
aonde preciso".
Imagino que a circulação para os automòveis deve
estar mesmo um inferno com todo esse aumento
do espaço para pedestres, ônibus e bicicletas.
Disse "imagino" porque não sei na pràtica como
é, não tenho carro nesta cidade, nem preciso
dele. De metrô, de ônibus, de bonde, de trem, a pé,
de bicicleta é muito mais fàcil e relaxado.
Ele também escreve sobre coisas que desconheço por aqui,
como abordagem de policiais a pedestres que atravessam
a rua em lugar errado. Hà, de fato, um certo exagero em
tudo o que ele diz, com exceção do que diz sobre as motos e
motonetas, que invadem as calçadas sem a menor cerimônia,
isso com a complacência da polìcia.
vendredi 6 avril 2007
Paris de bicicleta
A cidade de Paris está sendo modificada
radicalmente no sentido da circulação de
automóveis pelas suas ruas.
A prefeitura tem trabalhado duro e gasto
muito dinheiro para aumentar o espaço
para os pedestres, sobretudo, e para
uma melhor circulação de ônibus e
bicicletas. Isso tudo contribui, claro,
para a ira daqueles que não conseguem
deixar o automóvel em casa e vêem
o espaço reduzido para circular
suas máquinas de lata.
Nesta modificação da cidade está
incluído o alargamento das calçadas
(e o conseqüente estreitamento das ruas),
a criação de corredores exclusivos para os ônibus,
que hoje circulam com mais rapidez, e
a criação e ampliação das ciclovias
por toda a cidade.
Mas, como nada nunca são somente flores,
as ciclovias são constantemente invadidas
por carros e motos.
Publico aqui uma série de fotos destas
ciclovias que existem em Paris e o que
acontece no seu cotidiano.
Voltarei ao tema com freqüência.


radicalmente no sentido da circulação de
automóveis pelas suas ruas.
A prefeitura tem trabalhado duro e gasto
muito dinheiro para aumentar o espaço
para os pedestres, sobretudo, e para
uma melhor circulação de ônibus e
bicicletas. Isso tudo contribui, claro,
para a ira daqueles que não conseguem
deixar o automóvel em casa e vêem
o espaço reduzido para circular
suas máquinas de lata.
Nesta modificação da cidade está
incluído o alargamento das calçadas
(e o conseqüente estreitamento das ruas),
a criação de corredores exclusivos para os ônibus,
que hoje circulam com mais rapidez, e
a criação e ampliação das ciclovias
por toda a cidade.
Mas, como nada nunca são somente flores,

as ciclovias são constantemente invadidas
por carros e motos.

Publico aqui uma série de fotos destas
ciclovias que existem em Paris e o que
acontece no seu cotidiano.

Voltarei ao tema com freqüência.


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